O que é TDAH?
- 27 de abr.
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TDAH é um dos transtornos mais falados nos últimos anos e ainda assim um dos mais mal compreendidos. Virou sinônimo de criança agitada, de desculpa para falta de foco, de diagnóstico da moda. Mas a realidade é bem diferente.
O que é o TDAH?
O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, tem origem no funcionamento do cérebro, não em falta de esforço, disciplina ou inteligência.
Ele afeta a capacidade de regular a atenção, o impulso e a atividade motora. E não desaparece na vida adulta: estima-se que cerca de 60% das crianças com TDAH continuam apresentando sintomas significativos na fase adulta.
Quais são os sintomas?
O TDAH se divide em três apresentações principais:
Predominantemente desatento:
Dificuldade para manter o foco em tarefas longas ou pouco estimulantes
Esquecimento frequente de compromissos, objetos e tarefas
Dificuldade para organizar atividades e gerenciar o tempo
Parece não ouvir quando falam diretamente
Começa muitas coisas e termina poucas
Facilmente distraído por estímulos externos
Predominantemente hiperativo-impulsivo:
Dificuldade para ficar quieto ou em silêncio por muito tempo
Fala em excesso, interrompe conversas
Age antes de pensar, toma decisões impulsivas
Dificuldade para esperar a vez
Sensação interna de inquietação (mais comum em adultos do que agitação visível)
Combinado: apresenta sintomas dos dois tipos acima.
TDAH em adultos é diferente?
Sim, e por isso é tão subdiagnosticado. Em adultos, a hiperatividade visível costuma diminuir. O que fica é a desatenção, a impulsividade e uma sensação constante de que a vida é mais difícil do que deveria ser.
Adultos com TDAH não diagnosticado frequentemente relatam:
Dificuldade crônica para cumprir prazos
Empregos trocados com frequência
Relacionamentos instáveis por causa da impulsividade
Sensação de estar sempre "apagando incêndio"
Baixa autoestima construída ao longo de anos de cobranças e fracassos
Ansiedade e depressão que não respondem bem ao tratamento porque o TDAH subjacente nunca foi identificado
TDAH é só falta de foco?
Não. Uma das características mais incompreendidas do TDAH é o que se chama de hiperfoco — a capacidade de se concentrar de forma intensa e prolongada em algo que gera interesse genuíno. Isso confunde muito. A pessoa foca por horas num videogame ou numa série, mas não consegue terminar um relatório. Isso não é preguiça. É como o cérebro com TDAH funciona: ele responde à estimulação e ao interesse, não à obrigação.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, feito por um psiquiatra com base na avaliação dos sintomas, histórico de vida e impacto no funcionamento. Não existe um exame de sangue ou de imagem que confirme o TDAH.
Por isso a avaliação detalhada é tão importante. Um diagnóstico correto muda a trajetória de vida de uma pessoa.
Tem tratamento?
Sim. O tratamento do TDAH costuma combinar medicação e psicoterapia, que ajuda no desenvolvimento de estratégias de organização e regulação emocional.
Com o tratamento adequado, é possível ter uma vida produtiva, organizada e com muito menos sofrimento do que antes do diagnóstico.
Quando buscar avaliação?
Se você se identificou com vários dos sintomas descritos acima, especialmente se isso acontece desde a infância e afeta diferentes áreas da sua vida, uma avaliação psiquiátrica é o próximo passo.
Nunca é tarde para receber um diagnóstico. E diagnóstico não é rótulo, é o começo de um cuidado que faz sentido.
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